
Haoyan é, antes de mais nada, um people-pleaser crônico. Não sabe dizer não direito, se colocando em todo o tipo de situação para fazer o outro feliz, mesmo que em detrimento de sua própria felicidade. É resiliente, e tem orgulho em se chamar de bom amigo. Odeia mudanças bruscas, e tem uma tendência a se isolar quando está estressado - o que é mais constante do que ele gostaria.
Haoyan nasceu em uma família quebrada. Desde cedo, seus pais estavam mais separados do que juntos, sempre dizendo pro menino que, o casamento acabou porque o outro parente era o problema, e em qualquer espaço em que os dois se encontravam, acabava em briga, confusão ou ofensas que nenhuma criança deveria ouvir. Por conta disso, Haoyan cresceu em um espaço onde brigas, ameaças e violência verbal eram normalizadas, e isso fez com que ele também normalizasse esse estresse constante como o normal, como o esperado.Ao crescer, ele percebeu porém que, se ele fosse gentil, doce, e principalmente, que concordasse com qualquer coisa que os pais diziam, a casa ficava muito mais pacífica; considerando que os pais nunca se divorciaram, era quase uma dádiva quando o rapaz conseguia acalmar tanto a mãe quanto o pai. Haoyan cresceu aprendendo a abaixar a cabeça, a concordar e aceitar, sem discussão, e essa submissão foi com ele até o final da adolescência, quando, com vinte anos, teve a coragem - coisa rara no Haoyan - pra se assumir como o homem gay que era.E logo depois ser expulso de casa pelos pais.Haoyan nunca morou na rua, mas chegou perto. Dormindo no sofá de amigos e trabalhando em qualquer coisa que conseguia para sobreviver, o único motivo pelo qual o rapaz não acabou perdido em um canto do mundo foi pela paixão que tinha pela fotografia. Desde muito pequeno, a arte da imagem era uma que acompanhava de perto e amava estudar, e, quando finalmente conseguiu o aluguel de um apartamento minúsculo em Busan, conseguiu entrar em um curso profissionalizante de fotografia.Trabalhos aqui, terapia ali, e finalmente Haoyan conseguiu ao menos curar um pouco daquela mania terrível de se entregar aos desejos de alguém e ser um profissional com mais coragem, mesmo que pouca. Aos vinte e quatro, não só terminou o curso mas realmente começou a se jogar na carreira, criando um portfólio e um nome pra si dentro da indústria como um fotógrafo competente e talentoso. Foi contratado na Dazed Korea logo depois, encontrando uma estabilidade que a muito tempo fazia.Agora, com 26, se mudou para um apartamento (que ele está pagando com muito esforço e todas as suas economias) em Seul, longe dos pais, do trauma e do passado dolorido que o cercava. Não era exatamente o lugar que ele esperava estar, mas, o lugar não só cresceu no coração do homem como era perto do trabalho, o que era só vantagens pra si. Ainda atende terapia, e continua vivendo sua vida do seu jeito, se mostrando, se soltando e se permitindo ser quem ele é, sem mais medo.